
Sociável,sempre fui.Os sorrios infantis - minha inocência - já se foram.Sociável,rindo sem sorrir;é o que sou.
Quando pequeno,eu era grande.Quando médio,sou médio.Então,se for grande,serei pequeno? bem provável.Sociável,eu serei.Sorrir,não sei.O ponto de ônibus faz isso comigo;refletir demasiamente por esperar demasiamente.Se não esperasse,talvez fosse melhor;um carro seria o ideal.De fato,movimentando-me,sem depender dos outros,chegaria rápido à falsa maturidade - e à não reflexão.
Enquanto esperava,no ponto,concluì que o carro não me libertaria.Seria livre do ônibus,mas seria dependente do carro.O ócio reinaria.Além disso,dependeria do preço do petróleo,dependeria - provavelmente - de mecânicos,de estofadores,de eletricistas,de borracheiros;sem contar com os operários que pavimentam ruas,dos homens que os alimentam,do lugar onde esses homens compram sua comida,de seu meio de transporte - o ônibus,provavelmente.Sou como o Brasil,independente de Portugal em 1822,dependente do mundo; hoje e amanha,em minha grandeza.A liberdade só se conquista andando a pé.Mas estou cansado e com preguiça.