Nenhum poeta canta o chulé das musas,
No máximo o suor do corpo
- insinuando o sexo,
Por isso, sendo eu um leigo
no mundo dos literatos,
Tentarei escrever com o coração
sobre algo que,
na maioria dos casos, não é
Nada atrativo, nada construtivo,
Nada erótico, nem pornográfico.
Admiro as mulheres de pés suados,
de suvacos cabeludos,
Unhas sujas.
O desleixo delas mostra
a indiferença ao mundo,
me faz lembrar que somos bichos,
felizes ou tristes,
Adaptados ou rejeitados.
Bichos que vivem em uma só constante:
A alienação.
Vejo em mulheres como a crente cabeluda,
a favelada suja,
a dona de casa porca,
a mãe suada e dedicada,
a imagem da negra lavadeira
- que mal sabia falar o português,
mas já sabia que era escrava,
submissa tanto aos senhores
quanto à Deus.
Vejo nelas a vida; nua e linda,
A tela em branco, a argila fresca.
Com elas aprendo;
ora a odiar o Mundo visual,
Ora a ser complacente,
ser bicho,ser vivo.
Me sinto filho delas,
filho criado como bicho, mas com amor,
filho que é moldado para ser macho reprodutor,
Reprodutor de valores desvalorizados.